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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Estresse e ansiedade: inimigos da saúde estomacal



Sensação de queimação, estômago pesado, dores, azia e enjoos. Esses sintomas são comuns quando já existe um problema gástrico ou houve algum exagero na alimentação. Por outro lado, engana-se quem acredita que eles são exclusivamente decorrentes dessas questões, já que uma das  principais causas dos males do tubo digestivo tem origem emocional, em razão do estresse e da ansiedade. Magdala Tolentino, especialista do Núcleo de Gastroenterologia do Hospital Samaritano (Barra da Tijuca), destaca como é importante prestar atenção aos sinais que essas situações provocam para evitar problemas no estômago.

O tubo digestivo sofre com a pressão do dia a dia, como explica a especialista, tendo em vista que a ansiedade libera adrenalina e cortisol, substâncias que fazem com que o corpo aumente a produção do suco gástrico. “Essa alta ocasiona irritação em todo o aparelho digestivo, o que gera dores, náuseas, diarreias e vômitos”, diz. A médica observa que existem vários fatores que contribuem para os males dessa parte do organismo, como o excesso de comida industrializada e gordurosa, além da ingestão em demasia de bebidas alcoólicas. “Por outro lado, não adianta manter somente uma alimentação saudável se a mente não estiver em paz, pois o tubo digestivo é um alvo certo quando o estresse não é controlado”, ressalta.

Os problemas de origem emocional e psicológica refletem-se diretamente no organismo. “No consultório, embora a maioria dos pacientes apresente mais as queixas sobre os sintomas e desconfortos, ao fazermos exames e constatarmos gastrite ou outros males que causam dores estomacais, acabamos concluindo que a rotina do paciente envolve situações de pressão e que esse é um fator determinante para as doenças apresentadas”, explica Magdala.

Problemas emocionais também podem afetar o intestino, como afirma a especialista, que observa a tensão e a ansiedade como impedimentos para que o sistema gastrointestinal processe os alimentos de forma correta. “O fato de essas sensações liberarem substâncias que aumentam a produção de ácidos no organismo faz com que todo o aparelho digestivo fique irritado. Caso não ocorra o devido acompanhamento médico, no pior dos cenários uma úlcera poderá surgir, o que é bem mais delicado de ser tratado, por ser uma ferida no órgão”, alerta.

O importante é saber que, sempre que houver um alerta do corpo – como dor no estômago, azia, diarreia ou desconforto abdominal, a avaliação médica é indicada. Também não é recomendável tentar solucionar o problema com receitas caseiras e remédios adquiridos por conta própria, sem a devida orientação especializada. “Em algumas situações, os especialistas conseguem resolver a causa do desconforto com a prescrição de remédios e orientação para mudança de hábitos e de alimentação. Por outro lado, se o motivo for estresse, nada disso se resolverá se não ocorrer uma mudança no padrão de vida, juntamente com o acompanhamento dos problemas emocionais, o que pode ser feito por um psicólogo ou psiquiatra, por exemplo, dependendo de cada caso”, informa a especialista.

Sobre as formas de prevenção, a médica diz que a qualidade do sono é um fator fundamental para que esses quadros de ansiedade e estresse sejam amenizados. “Manter bons hábitos nesse sentido poderá contribuir para reparar os danos, reduzindo os riscos do surgimento de doenças mais difíceis de serem solucionadas. Outra dica é a busca por alternativas de relaxamento durante as demais horas do dia, mesmo diante de uma rotina difícil”, completa a gastroenterologista, que indica, ainda, alimentação saudável de três em três horas e realização de atividades físicas com acompanhamento profissional, além da dedicação a projetos pessoais que possibilitem prazer. “Essas são excelentes maneiras de evitar o estresse e, consequentemente, prevenir os problemas do tubo digestivo, que impactam diretamente a qualidade de vida de tantas pessoas”, finaliza.





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