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quinta-feira, 27 de julho de 2017

Jogos de azar: saiba quando um hobby pode se transformar em vício



Atividades que geram dominação e são difíceis de serem controladas podem ser consideradas dependência, explica psicóloga; drama vivido por personagem da novela ‘A Força do Querer’ chama a atenção para doença


É comum e bastante saudável que muitas pessoas tenham um hobby, coisas que gostam de fazer para se distrair e relaxar, como prática de esportes, leitura ou ouvir uma boa música. Porém, há alguns que encontram nos jogos de azar a sua maior diversão e chegam até a criar grupos de apostas. Um exemplo disso é a personagem Silvana (interpretada por Lilia Cabral), da novela “A Força do Querer”, que teve sua diversão transformada em um perigoso vício.

Sarah Lopes, psicóloga do Hapvida Saúde, afirma que tudo o que ameaça escravizar e dominar alguém pode ser considerado um vício – e com os jogos não é diferente. “O gosto pelos jogos deve ser visto como algo saudável e controlado. É preciso perceber a hora de parar e o controle não deve envolver sofrimento, deve ser natural. Por exemplo: pode-se determinar uma quantia ‘x’ para investir em um jogo. Caso vença ou não, isso não fará diferença. A quantia continua sendo esta. O que vai caracterizar o vício é a hora de saber parar, que deve existir", explica.

A especialista destaca que vários fatores podem se somar para desenvolver o vício no indivíduo. Um deles é o desequilíbrio da dopamina, hormônio do prazer, no cérebro, que faz com que o sujeito perca o domínio e não meça as consequências de seus atos.

Sarah destaca que é preciso ter cuidado para saber lidar com o problema e sempre procurar a ajuda de um psicólogo ou psiquiatra, que vai determinar o tratamento mais adequado. “O viciado em jogos nunca está satisfeito, sempre quer mais e mais, mesmo sabendo que depois se sentirá mal por isso. E as principais consequências desse tipo de vício são o prejuízo financeiro e o afastamento da família e dos amigos, que quase sempre leva o indivíduo a um quadro de depressão ou tristeza profunda, e até à ruína financeira”, afirma a psicóloga.

A especialista diz que é preciso estar atento a alguns sinais, como mentiras constantes com o intuito de escapar para jogar, investimentos surreais em apostas, agressividade, falta de sono e penhora de bens importantes ou de valor sentimental em mesas de apostas. Sarah, no entanto, enfatiza que o problema pode ser evitado, bastando tomar alguns cuidados e ficar atento: “O primeiro passo é começar a administrar o que é real e o que não é. Se esses jogos de fato trouxessem fortuna, muitos jogadores estariam afortunados, e, na realidade, isso é rara exceção. Os jogos devem servir como uma distração momentânea, não como uma obrigatoriedade. O hobby deixa de ser hobby quando não envolve mais prazer na atividade”.

Ainda de acordo com a psicóloga, tratamentos com acompanhamento de especialistas podem ajudar muito, dependendo do estágio em que a pessoa estiver. Geralmente, a aplicação de Terapia Cognitivo Comportamental costuma ser a mais eficiente, porém, quando o indivíduo chega a um nível em que não consegue perceber os danos, é necessária uma avaliação psiquiátrica e, até mesmo, uma terapia medicamentosa com a finalidade de equilibrar as substancia cerebrais responsáveis por este comportamento. Há também a alternativa da psicoterapia, que possui um efeito melhor do que as demais. O importante é que, assim que percebidos os sintomas, a própria pessoa ou amigos e familiares procurem especialistas para acompanhamento do tratamento, quando será escolhido o melhor método, de acordo com o diagnóstico apresentado.







‘GOLPE DO AMOR’ VOLTA A FAZER VÍTIMAS



Especialista em fraudes alerta para nova onda de golpes envolvendo sites e aplicativos de encontros


Segundo dados recentes divulgados pela Receita Federal, o ‘Golpe do Amor’ voltou a fazer vítimas no Brasil. A fraude atingiu um número não divulgado de mulheres que chegaram a realizar depósitos no valor de R$20 mil para liberar presentes e encomendas supostamente enviadas por seus parceiros – na verdade, estelionatários que criam perfis falsos na internet e se passam por estrangeiros com ótimas condições financeiras.

Segundo Ian Cook, diretor sênior da empresa Kroll, especializada em gestão de riscos corporativos e investigações, essa prática é considerada como uma das modalidades dos golpes de pagamento antecipado, na qual os criminosos, após envolver a vítima com seu discurso, solicitam a transferência de recursos para viabilizar um benefício que pode ser financeiro, como o percentual sobre uma herança, ou imaterial – a possibilidade de encontro interpessoal ou até um casamento.    

“Os múltiplos canais de comunicação atuais só facilitaram e potencializaram esse tipo de crime, que antes era cometido por meio de cartas e, consequentemente, atingiam um público menor, além de dispor de instrumentos de sustentação muito menos sofisticados”, afirma. “Hoje, esse golpe nasce na web, mas pode se prolongar por meses, ganhar outras interfaces e até personagens adicionais, que entram na trama para dar maior fidedignidade à narrativa”, completa. De acordo com o especialista, a web possibilita que fraudadores internacionais atuem neste tipo de golpe. “Ainda que esta modalidade de fraude seja também conhecida como “fraude da Nigéria”, por este ser o local de origem de muitos golpes semelhantes, o fraudador pode estar em qualquer lugar”.

Cook recomenda maior desconfiança do público como primeira medida de cautela e sugere pesquisas em ferramentas de busca confrontando o nome do interlocutor com sua as informações dadas por ele, por exemplo, locais que frequenta, profissão, amigos. É possível também, através de ferramentas de busca, identificar se as fotos enviadas pelo interlocutor são reais ou se foram obtidas pela internet. Tendo ou não sucesso nas buscas, a ordem é não dividir dados pessoais sob qualquer hipótese, além de jamais transferir valores de qualquer montante.

O especialista também alerta que, normalmente, o criminoso solicita a transferência de valores via empresas de repasse internacional e não por depósito em instituições bancárias tradicionais. Outro padrão recorrente é o uso de tradutores e corretores automáticos, que deixam escapar erros e mensagens sem sentido. 

Às vítimas, a orientação é suspender imediatamente qualquer comunicação com o criminoso e procurar as autoridades locais levando todo o histórico da conversa e documentos impressos, se houver.

“Apesar de o alerta da Receita Federal apontar para golpes em mulheres, todos estão vulneráveis a fraudes na web em algum grau. É importante manter sempre uma postura crítica e cautelosa no uso e nos relacionamentos por redes sociais e sites de relacionamento”, completa Cook.  





Brasileiros preguiçosos?



Em estudo baseado em dados de um aplicativo de uma gigante de celulares divulgado recentemente, descobriu-se que os brasileiros estão caminhando abaixo da média mundial. O aplicativo contabiliza as passadas dadas ao longo do dia quando estamos com o celular no bolso, ou seja, praticamente sempre.

Esse dado nos remete a algumas considerações interessantes. A primeira delas e mais evidente está relacionada ao baixo índice de atividade física praticado no país, o que claramente contradiz algumas pesquisas recentes sobre o número de pessoas ativas no Brasil estar próximo dos 40% ou 50%.

Existe uma explicação para tal diferença. Esses números totalmente fora da realidade surgem quando as pesquisas perguntam para as pessoas se elas são ou não ativas. Para não se sentirem envergonhadas, muitas acabam respondendo com dados, digamos, não verdadeiros. Sabemos que o número de praticantes regulares de atividade física no país é de 4% e chega no máximo a 10% quando consideramos os esporádicos. Os dados trazidos recentemente pelo aplicativo, então, nos revela a realidade:
"sim, somos sedentários".

Alguns levantam questões econômicas ou falta de tempo como impeditivos, mas, ao longo de mais de 20 anos de profissão, trabalhando com todos os públicos possíveis, não consegui encontrar até hoje, uma única pessoa, na qual não fosse possível colocar alguma atividade, sem mudança drástica de rotina, e sem custos. Por qual razão, então, nós brasileiros, somos preguiçosos, sedentários e inventamos essas desculpas?

A maior dificuldade está na imagem que temos sobre o que é exercício físico, onde ele existe e podemos praticá-lo, e o que realmente sabemos sobre nossa necessidade de movimento.

Não nos ensinaram que o exercício não precisa ser intenso, que não é preciso nos "fantasiarmos" de esportista e muito menos competir no esporte ou no Fitness por resultados que poucos são capazes de atingir. Isso, aliás, tem efeito contrário, já que comparações de resultados e metas de outras pessoas podem nos seguem frustrar.

Não sabemos como o corpo funciona, porque precisamos nos mover, e ainda nos fizeram associar mentalmente esforços com castigos. A educação física escolar tem uma grande responsabilidade sobre isso. E os pais, que também sofreram e não receberam o real conteúdo da educação física seguem fortalecendo o modelo sedentário, não dando exemplos (pois afinal nem sabem como fazer). No final das contas, geramos gerações e gerações de pessoas avessas ao exercício, com preguiça do esforço.

Evidentemente, o fato de pesquisas ligadas à tecnologia revelar o sedentarismo no país não é o suficiente para fazer as pessoas mudarem o comportamento e o estilo de vida. Esse trabalho de transformação acontece na cabeça e não no físico.

Experiências positivas na atividade física infantil são capazes de criar associações e conexões de prazer com o exercício. Nosso cérebro gosta de sentir prazer, independentemente da idade. Quando estamos em situação de sucesso, reconhecimento, eficiência e mérito, nos sentimos bem. Já nos ambientes competitivos, de comparação, de esforços ultra intensos, surge o medo, a vergonha, a incerteza, o fracasso, etc., todas sensações negativas, que fazem com que fujamos delas pelo risco.
Exceto o pequeno grupo formado pelos 4% de ativos que temos já na sociedade e que gostam desse desafio.

Há um modelo certo para ampliarmos esse grupo e termos uma população menos sedentária. É o modelo onde entendemos o exercício, onde escolhemos o que gostamos, do jeito que gostamos, na frente de quem queremos e que favoreça as decisões, conscientemente, de fazer mais ou menos vezes um esforço. Esse tipo de modelo é capaz de trazer mais pessoas para uma vida ativa.





Cristiano Parente - professor e coach de educação física, eleito em 2014 o melhor personal trainer do mundo em concurso internacional promovido pela Life Fitness. É CEO da Koatch Academia e do World Top Trainers Certification, primeira certificação mundial para a atividade de educador físico.