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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Nascimento de brasileiro indicado ao Nobel da Paz completa 150 anos



A indicação de Cândido Rondon foi feita em 1950, Albert Einstein o considerava um líder de primeira grandeza e, por isso, defendeu sua escolha

No próxima terça-feira, dia 5 de maio completará 150 anos do nascimento de Cândido Mariano da Silva, mais conhecido como Cândido Rondon ou Marechal Rondon.
Reconhecendo os feitos de Cândido Rondon, neste ano, os Correios lançarão no dia 4 de maio, um selo comemorativo dos 150 anos do nascimento do ilustre brasileiro. Além do evento de lançamento em Brasília, na sede da Empresa de Correios e Telégrafos, haverá um evento gratuito, este em São Paulo, no dia próximo dia 05, às 17h, no Centro Histórico e Cultural Mackenzie (CHCM), com acesso pela Rua Itambé, 143  – Higienópolis – São Paulo – SP.   
Nascido em Mimoso, Mato Grosso, o menino descendente de índio ficou órfão de pai antes de chegar ao mundo e perdeu a mãe com apenas dois anos. Além dos cuidados dos avós, o garoto ficou sob a tutoria de seu tio, Manoel Rodrigues da Silva Rondon, que sempre o estimulou a estudar.
Foi o tio que sugeriu ao menino, formado professor aos 16 anos, que seguisse carreira no Exército brasileiro. As indicações de Manoel, também, renderam uma formação diversificada em matemática, antropologia, geografia e etnologia, que ajudaram Rondon a construir uma carreira cientifica ao longo de sua vida.
Em um período em que o País tinha uma grande concentração populacional nas regiões litorâneas, Rondon foi fundamental para desbravar e apresentar as regiões Centro-Oeste e Norte aos demais brasileiros.
Entre as ações de Cândido estão à instalação de 32 estações telegráficas nos 1.497 km da linha principal e nos 736 km de ramais; o levantamento geográfico de mil quilômetros lineares de terras e de águas; determinou mais de duzentas coordenadas geográficas, inscreveu no mapa do Brasil 15 novos rios e corrigiu enganos sobre o curso de outros tantos. Ao todo, o trabalho de Rondon resultou em mais de 5 mil quilômetros de linhas telegráficas e estradas.
Ao longo deste percurso Rondon teve contato com inúmeras tribos indígenas que foram pacificadas de maneira organizada e harmoniosa, pois Cândido tinha por lema “Morrer se preciso for. Matar nunca”. O trabalho dele gerou a criação do Dia do Índio (19 de abril), a estruturação do Parque Nacional do Xingu e o desenvolvimento da FUNAI, entre outros.
Os feitos de Cândido Rondon chegaram a terras distantes de tal forma que Theodore Roosevelt, ex-presidente dos Estados Unidos veio ao País para participar, com o colega brasileiro, de uma expedição de pesquisa científica cuja missão era coletar amostras da fauna e da flora da Região Amazônica. Esta aventura completou 100 anos e foi iniciada pela vontade do próprio Roosevelt, que buscava uma vivência na floresta tropical após perder as eleições norte-americanas que lhe dariam um pretendido terceiro mandato.
Nesta expedição, Theodore escreveu “Nas selvas do Brasil” onde conta a história desta viagem e fala do temperamento de Rondon, que descreve como um “grande conciliador”.
O perfil de Cândido Rondon também cativou outras personalidades. Entre elas, o físico Albert Einstein teve contato com o trabalho do brasileiro em 1925, quando passou 51 dias na América Latina. Embora o cientista não tenha gostado muito do Brasil, fez uma carta de próprio punho ao comitê do Prêmio Nobel, na qual afirma e recomenda: “Esse homem deveria receber o Nobel da Paz por seu trabalho de absorção das tribos indígenas no mundo civilizado, sem o uso de armas ou violência. Ele é um filantropo e um líder de primeira grandeza”.
Infelizmente Rondon não ganhou o prêmio e a correspondência de Einstein só foi descoberta em 1994, pelo professor Alfredo Tiomno Tolmasquim, pesquisador brasileiro em Jerusalém.
No ano de 1955, o Congresso Nacional conferiu a ele a patente de marechal, e no ano seguinte, o então Território Federal de Guaporé, passou a ser chamado de Rondônia em homenagem ao seu desbravador. Aos 92 anos, Rondon faleceu, no Rio de Janeiro, em 19 de janeiro de 1958.
A tenacidade, a dedicação, a abnegação e o altruísmo, atributos marcantes de sua personalidade, o fizeram merecedor do título de Patrono da Arma de Comunicações do Exército Brasileiro, sendo sua data de seu nascimento comemorada como o Dia Nacional das Comunicações.
Para falar sobre o tema sugerimos Maurício Melo de Meneses, pesquisador e biógrafo do Marechal Rondon e presidente do Instituto Presbiteriano Mackenzie.

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